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  • Foto do escritorAlex Lima

Sapos queimados




Estudos biológicos mostram que um sapo colocado num recipiente, com água que retiramos da lagoa, fica estático durante o tempo em que a aquecemos, mesmo que ela ferva. O sapo não reage ao gradual aumento de temperatura (mudanças de ambiente) e morre quando a água ferve. Inchado e feliz.

Por outro lado, o sapo que seja colocado, no mesmo recipiente, com a água já a ferver, salta imediatamente para fora. Meio queimado, mas vivo!

Às vezes, somos sapos queimados, não percebemos as mudanças. Achamos que corre tudo muito bem, ou que aquilo que está mal vai passar, que é só uma questão de tempo. Estamos prestes a morrer, mas ficamos a boiar, estáveis e apáticos, na água que vai aquecendo. Acabamos por morrer, inchadinhos e felizes, sem percebermos as mudanças à nossa volta.

Sapos fervidos não notam que, além de serem eficientes (fazer bem as coisas), precisam de ser eficazes (fazer as coisas certas). E para que isso aconteça, há necessidade de um  continuo crescimento, com espaço para o diálogo, para a comunicação clara, para dividir e planear, para uma relação adulta. O desafio, ainda maior, está na humildade em actuar, respeitando o pensamento do próximo. Há sapos queimados que ainda acreditam que o fundamental é a obediência, e não a comparência: “ Manda quem pode e obedece quem tem juízo.” E nisto tudo, onde está a vida de verdade? É melhor sair meio queimado de uma situação, mas vivo e pronto a agir. 

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